A Minha Visão da Maratona – por Maurício Martins

Pedi ao Eduardo um espaço para contar o que seria fazer uma maratona para mim. Já apareci por aqui em fotos e citações do meu grande amigo, mas desta vez precisava contar o que vi, ouvi e senti nessa corrida que não tem igual.
Como ele já contou, fizemos a nossa inscrição para a prova ainda em 2007, no 1º dia de inscrições. Acreditem tudo começou com um desafio. Eu disse para o Eduardo: “Você tem coragem de enfrentar uma Maratona? Eu vou fazer minha inscrição”. Ele tão louco como eu aceitou o desafio. rsrsrs

Eu quando adolescente, com apenas 14 anos já havia feito minha 1º São Silvestre. Hoje com 29 anos achava que depois de 10 meses de treinos diários e corridas pelos circuitos Corpore, Yescom, Zarro e Adidas estaria pronto para um desafio maior. Grande Ilusão

Maratona é pra gente grande, maratona é para quem leva a sério o esporte. Muitos já disseram e eu repito, para se fazer uma Maratona faça pelo menos umas 3 meias maratonas e treine firme com treinos de 30 a 40 km’s pelo menos 1 vez por mês, nos 6 meses que antecedem ao evento.

Uma semana antes do evento, na corrida de 25k da Corpore já havíamos determinado. Vamos do começo ao fim da Maratona juntos. Não importa o tempo, importa chegar. Eu já corri os 12,5 km’s desta corrida que fizemos em dupla pensando na Maratona. Passei a semana toda me pegando com o pensamento longe, sempre pensando. “Só fiz 1 meia maratona, nunca corri mais que 21 km’s e agora esta ai uma corrida com 42 km’s. Será que eu termino? Será que eu não vou decepcionar meus amigos?”

Chegou o Fim-de-Semana e a preparação na alimentação já vinha desde quarta. No Sábado pela manhã já havia um treino da Adidas Code para fazermos no parque Alfredo Volpi e achei que ali seria um bom termômetro para ver se a bronquite poderia me atrapalhar na Maratona. Treino puxado e com subidas intensas, mas foi ótimo, mesmo com o Frio cortante do parque terminei bem e a respiração ótima. Achei que poderia ir bem durante a maratona.

Às duas da manhã assim como meu amigo Edu também estava acordado para ouvir a chuva bater na janela do meu quarto avisando que estaria lá para prestigiar nosso desafio. As 5:50 o despertador tocou, nem precisava, já estava acordado. Em 30 minutos estava lá a minha família toda pronta (Meu Pai, meus irmãos e minha noiva) para irmos para o Ibirapuera se juntar aos milhares de participantes e espectadores.

A Organização deixou a desejar já na entrada para os ônibus que levariam os atletas para a Av. Roberto Marinho, muitas filas desencontradas, ônibus saindo com lugares vazios e muita gente cortando fila. Mas conseguimos nosso lugar em pé mesmo, pois já eram quase 8:00.

Chegamos a largada. Muita gente, mas também bastante espaço, sem empurra-empurra. Durante a semana já havia garantido que estaria equipado para este momento, comprei cinto de hidratação, bermuda térmica, camiseta de manga longa, entretanto naquele momento as pernas começavam a amolecer com o pensamento de havia mesmo força ou não em mim para completar o percurso.

Fiz um pequeno aquecimento e um rápido alongamento, pois não conseguia me concentrar em mais nada. Tirei fotos com minha família, peguei um abraço forte e um beijo da minha noiva que sempre disse que não era pra eu desistir, mas que naquele momento disse “Se você não agüentar, me liga que vou te buscar” Sabia que não importava o resultado, para ela eu já era vitorioso por estar lá na largada enfrentando de frente o que viesse acontecer. Era o que eu precisava para completar a prova. A certeza de que ela já me considerava vencedor.

Por volta das 09:00 o tiro de canhão marcou a largada, o último cumprimento no Nilson e no Eduardo e partimos, um ritmo ditado pelo fluxo de pessoas, devagar ,mas constante. O Nilson partiu na frente, disse que forçaria ate o a bifurcação do 6 km pois sentia dores e que se continuasse na maratona nos esperaria para terminarmos juntos.

No 6 km não vimos o Nilson e achamos que ele tinha desistido e ido para completar os 10km , engano meu , só fui encontrá-lo após a chegada, emocionado, chorando de alegria por ter feito a maratona e por nos encontrar também como recém Maratonistas.

A corrida foi ótima para mim, apesar da garoa e do frio, até o km 24, nesse momento com +ou- 2:23:00 eu senti que não conseguiria mais correr até o fim, teria que andar um trecho. Pensei na hora: “Ainda faltam 18 km’s, se começar a andar agora, será que termino?” Mas com o apoio incansável do meu amigo Eduardo, fomos desbravando km a km as dificuldades. Estávamos em um ritmo ate o km 24 que se fosse levado ate o fim teríamos um tempo abaixo de 04:30:00, mas mesmo com a queda do ritmo estávamos confiantes na chegada.

Pensávamos somente na chegada, nas pessoas que apostavam em nós e que não poderíamos decepcionar, no momento de glória pessoal de saber que éramos capazes.

No km 32 eu já não estava mais nos controles de minhas pernas que com o frio pareciam que não estavam aquecidas e prontas para corrida. Parecia que eu não tinha feito alongamento, aquecimento nada. Sensação de que levantei da cama agora e sai correndo. Misto de dor e musculatura totalmente endurecida. Nesse mesmo km o Eduardo percebeu que estava sangrando por conta do atrito de sua camiseta contra seu peito. Mais um pensamento “Isso aqui não é brincadeira, é hora de terminarmos com isso”. Ai em diante ele teve de correr sem a camiseta para não agravar mais o problema.

Cada km depois do km 34 – saída da USP – era uma estrada inteira para mim, cada saída de túnel parecia uma escalada de montanha, pedi diversas vezes para o Eduardo diminuir o ritmo ou até andar para que eu pudesse acompanhá-lo.

No Km 40 começaram a aparecer os fotógrafos de sites especializados. Pra mim uma sacanagem, agora que eu estou quebrado não posso nem andar para não aparecer na foto andando. O Eduardo disse para mim “Vamos agora correr até o fim sem andar, mesmo que seja em um ritmo de trote bem lento, mas vamos. Vamos sair bonito na foto”.

No último Km já dava pra ver o Obelisco, mas o Ibirapuera nunca foi tão grande. Começamos a ver a chegada, consegui ver nossa torcida na arquibancada bem perto da linha de chegada e não acreditava que faltava tão pouco. Agora eu tinha certeza absoluta que não desistiria, nem que tivesse que terminar me arrastando. Passamos pela nossa torcida, mandei um beijo para minha noiva, tinha agora uns 100 metros pela frente. Estendi a mão para o último obrigado ao Eduardo pela companhia e pelo apoio total durante todos o percurso, foi por culpa dele que eu terminei.




Ao cruzar a linha de chegada pude extravasar toda angustia e desejo de ser vencedor com um grito e um gesto de garra, dedicação e um tanto de loucura. Tínhamos terminados, éramos agora Maratonistas. Como disse antes encontramos o Nilson emocionado aos prantos agradecendo a nós pelo incentivo e por encher a paciência dele para fazer a corrida e por ter mostrado a ele mesmo que podia fazer 42.195 mts, mesmo com as restrições que lhe cabiam.








Pegamos nossas medalhas cambaleando, fomos ao encontro dos familiares. Agora a chuva apertava novamente, mas não importava tínhamos conseguido. Agora era hora somente de festas, abraços, beijos e congratulações pelo feito. Tiramos uma foto “oficial” dos medalhistas e fomos até o estacionamento para então voltar à vida normal.


Antes de cada um voltar a sua rotina de um fim-de-semana como o outro precisávamos marcar essa vitória como o nosso ídolo em comum, Ayrton Senna, sempre fazia. E Dá-lhe Champagne!!!!!!!

Fim

Agradecimentos:

A minha noiva que sempre me apoiou em todas as batalhas da minha vida e sempre me acompanhou em todas as corridas. Ao Eduardo por me mostrar que estava na hora de eu me mexer e parar de optar por seguir o caminho da preguiça e obesidade.

A minha Família que esteve presente neste dia tão importante para mim.

Obrigado, obrigado e obrigado!!!!!

Esse Blog mostra a todos que com fé,persistência e força de vontade
tudo é possível !!!

2 Comentários para A Minha Visão da Maratona – por Maurício Martins

  • M. Balbino  says:

    ae mauricio! parabens pelo feito e pela otima foto da sua chegada! muita raca mesmo!
    d+!

  • Yara Achôa  says:

    Maurício e Eduardo,
    Vocês são exemplos de superação, de amizade, de determinação… Muito linda a história da primeira Maratona de vocês. Parabéns amigos MARATONISTAS!!!
    Beijo
    Yara

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