Igaratá 23k, a prova de que somos capazes …

Mas do que somos feitos? Os inteligentes e objetivos irão detalhar cada molécula de nosso corpo, mas sem entrar neste mérito tão cientifico e correndo para o aspecto mais concreto do ser corredor de rua, montanha e esteira.

Para mim somos seres compostos de algo que nos diferencia daqueles que não correm, temos em nós uma chama que mesmo em situações totalmente contrárias não se apaga, vamos lá e encaramos o desafio. Quem que nunca correu resfriado sem quase conseguir respirar de tamanha era a coriza? Bem eu já fiz esta loucura inúmeras vezes, e sempre repetia para mim que nunca mais o faria, mas o fiz.

Mas onde quero chegar com tantas indagações, neste último domingo foi encarar a Igaratá 23k, na cidade de Igaratá a 90km de São Paulo, prova organizada por meus amigos Rafael Zobaram e Renato Cavallieri Mello, uma prova para poucos com altimetria extrema e de pura superação, uma prova que serviu de fundo para muitos corredores e corredoras que estão se preparando para pirambeiras ainda maiores que virão pela frente.

E para esta prova de superação veio ao encontro da minha retomada de treinos e de superar minha lesão de joelho, a qual optei por conviver com ela e seguir adiante. Confesso que estava muito ansioso por correr novamente uma prova de aventura e desafio extremo, já vinha há mais de uma semana organizando as coisas e montando minha estratégia de correr os 23k de Igaratá.

E chegado o grande dia, as 04h50 da manhã do domingo coloquei os pés na via Dutra em um viagem tranquila e logo as 06h10 eu estava chegando na calma cidade de Igaratá. E por lá quase que encontrei um pulguento amistoso para me recepcionar, assim foi em Bertioga – Maresias e por outros lugares que passei, para trazer boa sorte. Por lá encontrei meu grande amigo Herivelto Francisco, uma pessoa de simpatia impar o qual admiro como profissional e runner, tive o prazer de rever ainda a sempre animada Marina Kuriki e o ultra Foca, Altino Faria e de vista vários outros amigos.

Troquei algumas palavras com meu amigo Rafael Zobaram que estava na correria, e que apenas da brevidade foram palavras de um amigo o qual agradeço.

Tudo certo para a largada, eu com um Salomon SpeedCross3, para enfrentar o terreno que era uma misto inicial de asfalto com terra batida e depois só terra batida com muita pedras, achava eu que estava o TOP da coisa.

E dada a largada as 08h00 lá fomos os mais de 700 loucos para um mega desafio, confesso que me empolguei nos primeiros 5km com um ritmo médio de 04h30, e acabei pagando o pato no decorrer da prova pois ainda restavam 18km com aclives e declives com quase 70 graus de inclinação, erro generalizado no planejamento pessoal da prova, quase que coisa de principiante.

Altimetria Igaratá

Já no 6º km o primeiro e interminável aclive, o pelotão de elite já se destacava ao longe na parte mais alta da montanha enquanto na parte de traz a galera começava a alternar entre trotes e caminhadas rumo ao cume da montanha, e haja perna para tanta subida, e justamente no 6º  km encontrei Daniela Braz a qual tenho como amiga em meu facebook e não havia tido  o prazer de conhecer pessoalmente, e papo vai papo vem decidimos ali fechar a prova juntos, já que o desafio era punk é melhor ter alguém conosco para dividirmos as glorias.

Percurso Igaratá

Lá pelo 10º km as minhas amigas bolhas começaram a murmurar comigo, era o sintoma de que a escolha do tênis para aquele tipo de prova havia sido um erro, a corrida começou a se tornar um martírio e não um prazer, mesmo em trecho de declive e plano o incomodo se tornava cada vez mais intenso. E é fato quando estamos em uma prova dura e de grande esforço, quando quebramos o ritmo ou caminhamos é quase impossível voltar a correr de forma plena no mesmo nível. E lá fomos nós eu e Daniela Braz desbravando as montanhas de Igaratá, e como ela também não estava em sua melhor condição fomos em frente e passando por paisagens sensacionais. Quando possível corríamos para pelo menos não estourar o tempo limite da prova e para no final termos energia suficiente para terminar a prova correndo de forma plena. Já no 21º km encontramos o esposo da Daniela, e que nos acompanhou para nossa chegada na cidade, que já estava toda acordada e com as vida cotidiana a toda, cruzamos a chegada de uma das provas mais duras das quais eu já participei, e afirmo que em 2014, quero estar de volta!

Igaratá 23k - Chegada

Felizmente a prova foi muito bem organizada, tudo de acordo com o regulamento, hidratação impecável, apoio medico e logístico perfeito, tudo como deve ser em uma prova de endurance e resistência, claro que pelas redes sociais reclamaram da falta de isotônico ao final da prova, mas creio que quando vamos para uma prova deste tipo, eu pelo menos sempre monto meu kit pessoal pós prova com Isotônico, banana e a boa e velha Coca Cola trincando, e na últimas provas um boa cerveja sem álcool, a qual recomendo!

Igaratá 23k - Medalha

E o resultado final, são várias bolhas e hematomas nas pontas dos dedos, e a indescritível sensação de ter se superado em uma prova insana e extrema e mais uma medalha para o cantinho das conquistas e superações!

Borá que os próximos desafios serão a 4ª SP Run – Shopping SP Market em 06/04/2014 e a Mizuno Half Marathon em 25/05/2014.

Sucesso Sempre Feras !!!

2 Comentários para Igaratá 23k, a prova de que somos capazes …

  • Sérgio  says:

    Tive um Salomon SpeedCross3 por 2 anos, qualquer prova acima de 8 km, havia ameaça de bolhas, além dele ser muito maleável, comprei um La Sprotiva Ultra Raptor com o qual fiz essa prova e mais 3, posso dizer hoje com segurança, tenis perfeito para montanha, muito superior ao Salomon, sem chance de dar bolha, fica a dica sem comissão.

  • Eduardo Acacio  says:

    Grande Sérgio … valeu pela dica … espero ter a oportunidade de usar o La Sprotiva Ultra Raptor, e dar minha nota 10 para este tênis … Em meus teste o Salomon já esta em grande desvantagem para longas distâncias …

    Sucesso Sempre !

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